Você já deve ter se perguntado: “Por que vivemos?” “Pra que serve o código genético?” “Qual a lógica disso tudo?” Em meados dos anos ...
Você já deve ter se perguntado: “Por que vivemos?” “Pra que serve o código genético?” “Qual a lógica disso tudo?” Em meados dos anos 70, Richard Dawkins, renomado biólogo ateu, lançou seu primeiro livro, O Gene Egoísta, onde defende que a função do indivíduo é simplesmente perpetuar seu código genético, e a maneira de se fazer isso é através da procriação, já que a vida humana é bastante curta e perecível. Martin Cohen, em seu livro 101 Problemas de Filosofia, lança um questionamento baseado na concepção de Dawkins. Acompanhe e tente responder a pergunta.
O Sr. Bill Megasoft esteve lendo um livro sobre a natureza da existência. O livro diz que a finalidade de alguém estar vivo é simplesmente passar pra frente o seu “material genético” através do sexo e da geração de crianças.
Existe realmente muitas evidências circunstanciais em favor dessa tese. Primeiro: o impulso sexual é muito forte e parece não realizar muito mais do que a geração de crianças. Segundo: pelo menos numa parte da população existe a tendência a cuidar dessas crianças e de aceitar por elas sacrifícios que realmente não se explicam de nenhuma outra maneira, a não ser como um investimento no próprio futuro genético. (Certamente não é altruísmo; poucas vezes os filhos dos outros despertam o mesmo interesse). É o “gene egoísta” determinando o comportamento. E o Sr. Bill acha que isso explica muito bem por que vivemos e qual o sentido de tudo.
Todos os nossos demais comportamentos — futebol, arte, matar os outros (e seus filhos), e assim por diante — podem ser explicados dessa maneira. E o nosso destino é esse: morrer pouco tempo depois que os filhos se tornaram adultos e não precisam mais de nós. É prático, embora não seja agradável.
A arte humana
O Sr. Bill leva muito a sério a sua responsabilidade de passar pra frente seu código genético. Ele monta um departamento secreto nos Laboratórios Megasoft que tem a tarefa de implantar uma molécula de DNA de uma de suas células num óvulo não fertilizado, doado por sua companheira Charlene (por delicadeza, o Sr. Megasoft não conta para Charlene que o processo envolve a remoção do código genético dela). O óvulo, depois, será congelado e colocado num projétil especial que será movido e mantido à energia solar e preso a um dos satélites de comunicação da empresa Megasoft. O plano é lançar a mininave espacial para as profundidades do espaço, para toda a eternidade.
O satélite do Sr. Megasoft
O Sr. Megasoft pensa que ele há de garantir assim que seu código genético vá durar mais do que o de qualquer outra pessoa, existindo para sempre, o que tornará desnecessário que a raça humana continue.
Há apenas um problema nessa teoria, pelo menos quando se trata de resolver o problema da existência: se a nossa finalidade é simplesmente passar pra frente o nosso código genético…
Qual a finalidade do código genético?!
Adaptado de: COHEN, Martin. 101 problemas de filosofia. São Paulo: Loyola, 2006.