Recentemente o site Bule Voador fez uma brincadeira interessante: pegou alguns comentários que os religiosos sempre fazem quando descobrem...
Recentemente o site Bule Voador fez uma brincadeira interessante: pegou alguns comentários que os religiosos sempre fazem quando descobrem que você é ateu — nenhum deles de tolerância ou respeito pela sua opção — e transformou numa cartela de bingo. Uma dessas opções era a Aposta de Pascal, o que alguns crentes (os raros mais esclarecidos) alegam para acreditar em deus. Mas existem sérios problemas nesta aposta, conforme mostraremos.
O matemático francês Blaise Pascal alegava que, por mais que fosse improvável a existência de deus, deveríamos acreditar nele, pois só teríamos a ganhar com essa decisão e nada a perder. Basicamente a ideia é a seguinte: é melhor crer em deus, porque se você estiver certo, então você vai pro céu; e se estiver errado, não vai fazer a menor diferença. Mas se não acreditar em deus e estiver errado, você vai se lascar por toda a eternidade; e se estiver certo, não vai fazer a menor diferença.
Aparentemente é uma ideia sedutora. Mas só para os falsos. Quem consegue decidir acreditar em deus assim, apenas com uma escolha simples, como se fosse escolher este ou aquele político pra votar, ou sobre torcer pra este ou aquele time de futebol, ou não torcer pra nenhum? Acreditar não é uma coisa que se possa decidir assim da boca para fora, a não ser se for por conveniência. É preciso ter consciência, simpatia, vontade, convicção daquilo que se escolhe, e não porque é mais vantajoso.
Richard Dawkins afirma que a Aposta de Pascal só poderia servir de argumento para uma crença fingida em deus. E completa: “é melhor o deus que em que você alega acreditar não seja do tipo onisciente, senão ele vai saber da enganação”.
Pra piorar a situação, imagine que você resolveu seguir a aposta, e então acreditar em deus por conveniência. Mas que deus? Existem centenas, talvez milhares de deuses adorados pelo mundo afora, o seu é só mais um nessa lista. E se ele for o deus errado? Não seria melhor não ter apostado em deus nenhum do que no deus errado, e ainda por cima por conveniência?
Como vemos, a aposta de Pascal é mais um argumento furado para a crença em deus. Talvez o mais covarde e indigno, porque a decisão de acreditar em deus se baseia na vantagem, no interesse, e não na fé sincera ou nas provas. Não é por acaso que no bingo ateísta dos argumentos e comentários incoerentes dos cristãos, ele foi colocado em pleno destaque.